Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de maio de 2014

Mais de Pink, mais de Floyd...



You got to be crazy, gotta have a real need
Got to sleep on your toes, and when you're on the street
Got to be able to pick out the easy meat with your eyes closed
Then moving in silently down wind and out of sight
You got to strike when the moment is right, without thinking

And after a while you can work on points for style
Like the club tie and a firm handshake
A certain look in the eye and an easy smile
You have to be trusted by the people that you lie to
So that when they turn their backs on you
You'll get the chance to put the knife in

You gotta keep one eye looking over your shoulder
You know it's gonna get harder harder and harder as you get older
Yeah, and in the end, you'll pack up and fly down south
Hide your head in the sand
Just another sad old man
All alone and dying of cancer

And when you loose control you'll reap the harvest you have sown
And as the fear grows the bad blood slows and turns to stone
And it's too late to lose the weight you used to need to throw around
So have a good drown as you go down all alone
Dragged down by the stone

Gotta admit that I'm a little bit confused

Sometimes it seems to me as if I'm just being used
Gotta stay awake gotta try and shake off this creeping malaise
If I don't stand my own ground, how can I find my way out of this maze?
Deaf, dumb and blind, you just keep on pretending
That everyone's expendable and no one has a real friend
And it seems to you the thing to do would be to isolate the winner
And everything's done under the sun
And you believe at heart everyone's a killer

Who was born in a house full of pain?
Who was trained not to spit in the fan?
Who was told what to do by the man?
Who was broken by trained personel?
Who was fitted with colar and chain?
Who was given a pat on the back?
Who was breaking away from the pack?
Who was only a stranger at home?
Who was ground down in the end?
Who was found dead on the phone?
Who was dragged down by the stone?
Who was dragged down by the stone?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A mais bela de todas as artes (2)


A mais bela de todas as artes. Mesmo o homem "mais poderoso" (Obama) da terra se iguala a todos os outros diante da beleza e do sentimento que a música transmite e é capaz de gerar. A expressão do Robert Plant é emocionante, e o reconhecimento cantado, de uma das maiores bandas de todos os tempos e de uma das mais belas músicas de Rock de todos os tempos, é a maior homenagem que um artista músico pode receber. Ver sua obra ser repetida, reverenciada, com respeito e prazer, é uma sensação incomparável, única.

Você pode até não viver pela música, mas a música faz vc se sentir vivo, sempre...


There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying the stairway to heaven
When she gets there she knows if the stores are all closed
With a word she can get what she came for

And she's buying a stairway to heaven 


Abraços


Thiago



sábado, 20 de julho de 2013

The Royal Philharmonic Orchestra - Hits of Pink floyd

O meu primeiro post foi sobre o Pink Floyd, inúmeros dos vídeos que coloco aqui são deles, e já cansei de anunciar aos quatro cantos que é minha banda (se é que podemos chamar de banda) predileta. Existe sempre aqueles inúmeros clichês quando alguém quer defender um estilo ou gosto musical do tipo "Pink não é pra qualquer um", "tem que ter muito bom gosto musical pra ouvir pink floyd", "você não gosta pq não entende" e assim vai. Sinceramente, tudo bobagem. Não vou ficar remoendo meus gostos com esses clichês, mas Pink é poesia cantada, é musica pesada, música suave, enfim, é música pra ser ouvida e apreciada. E como toda boa música, tem inúmeras versões. Coloco pra vcs uma versão maravilhosa da The Royal Philharmonic Orchestra.

Abraços


Thiago







sábado, 18 de maio de 2013

Pra relaxar...

Pra terminar os trabalhos desta noite, segue o novo som do Daft Punk, "Get Lucky". Quando era mais novo era estranho gostar de Daft Punk enquanto muita gente não curtia, você acaba se sentindo meio louco, agora..., não tô nem aí, heheheh. Aproveitem.


Abraços


Thiago




Bonus Track




terça-feira, 14 de maio de 2013

A velha luta...

Saudade de quando era moleque e via esse filme (não quando foi lançado, não sou velho assim) me imaginando a tocar guitarra desse jeito. Recomendo demais o filme, e se deliciem com esse final, que pode certamente entrar para o hall dos finais épicos (pelo menos para os aficionados em música).

Abraços

Thiago



Olha o mojo ai...

Steve Vai... eu fico (entenderam o trocadilho? Hahaha)

Um Bonus, pra não perder o hábito, nesse caso, música da trilha sonora de um excelente filme do irmãos Joel e Ethan Coen, "E aí, meu irmão, cadê você?", com o humor peculiar e fantástico desses dois diretores...



sexta-feira, 3 de maio de 2013

Uma música pra recordar...

Faz tempo que não posto uma música (sarcasmo), e nos últimos dias tenho me ocupado mais em corrigir trabalhos do que qualquer outra coisa. Enfim, para tentar musicalizar o blog novamente, segue uma linda música do Beirut, Elephant Gun. É pra sentar, ligar o fone (sim, viva o fone de ouvido, pena que alguns não saibam da sua existência) abrir uma latinha com sangue de Atena, e desfrutar desse som contagiante. 

Abraços, e boa música, que no final das contas, sempre aguenta minhas demências cotidianas.


Thiago




Bonus track:

Como bonus, uma do Piano Guys, recomendo o canal...



Eu devia ter ficado com a música e largado essa maldita Filosofia enquanto ainda era tempo...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Viciado em música...

Embora o violino da Lindsey seja, as vezes, um pouco sujo, a performance é legal, e os arranjos para a música da banda Imagine Dragons (radioactive) é bem empolgante. Aproveitem.

Abraços

Thiago



Música e Platão

Disponibilizo não só para os alunos de Antiga, mas para todos os leitores, alguns dos diálogos de Platão.

Abraços

Thiago









E de bandeja, um artigo sobre dialética e retórica em Platão, para ajudar os alunos de Antiga.

Abraços



P.s: Para baixar os arquivos, vocês deverão, primeiro, assistir ao vídeo abaixo, para deslelekezar vossas mentes.






sexta-feira, 12 de abril de 2013

Viva a Lua...

Para os companheiros de insônia, ouçamos a mais bela de todas as sonatas já feitas, a sonata nº 14 em C menor, de Beethoven.


Dentre todas as expressões humanas, a arte, enquanto um tipo de linguagem, parece nos transportar para fora dessa realidade contínua e determinada pelo tempo e pelo espaço, e dentre todas as expressões artísticas, a música é a mais sublime. A mais sublime das artes, elevando a linguagem ao seu estado mais sublime, e por alguns instantes nos retirando desse estado perpétuo de nulidade história e abjecção. 
Pena que não somos música, pena que tenhamos que invejar nossa mais bela criação, pena que dela padecemos.


Abraços

Thiago 

domingo, 7 de abril de 2013

Porque música é bom...


Pra ocupar a cabeça com algo mais interessante, e aceitar a ideia de que a segunda é um dia inevitável, segue um vídeo de Colle Rolland, excelente guitarrista, e com excelentes arranjos musicais. O interessante do Rock, e da guitarra, especificamente para mim, é que ouço tanto pra acalmar quanto pra ter ideias, ou mesmo pra relaxar.
Recomendo que procurem os outros vídeos do cara, vale a pena.

Abraços

Thiago


Bonus track 

Pra não perder o hábito, um bonus diferente, mas nem tanto...

Como seríamos sem música? Acho que não seríamos...







quinta-feira, 4 de abril de 2013

Now there's a look in your eyes...


Os aficionados devem admitir, o "prun pren prun pram" (sim, estou tentando descrever o som) é de arrepiar a alma. Segue mais uma do álbum "Wish you were here", uma bela música composta em homenagem ao grande Syd Barrett, O álbum explora temas como ausência, indústria musical e a deterioração mental de Syd, um dos fundadores do grupo. Em um dos dias de gravação, a banda não reconheceu Syd que fez uma visita ao estúdio, mas havia sofrido uma grande alteração na aparência. 

No final das contas, a loucura atinge a todos, em diferentes graus. No final das contas, somos todos loucos...









Remember when you were young,
You shone like the sun.
Shine on you crazy diamond.
Now there's a look in your eyes,
Like black holes in the sky.
Shine on you crazy diamond.
You were caught on the crossfire
Of childhood and stardom,
Blown on the steel breeze.
Come on you target for faraway laughter,
Come on you stranger, you legend,
You martyr, and shine!

You reached for the secret too soon,
You cried for the moon.
Shine on you crazy diamond.
Threatened by shadows at night,
And exposed to the light.
Shine on you crazy diamond.
Well you wore out your welcome
With random precision,
Rode on the steel breeze.
Come on you raver, you seer of visions,
Come on you painter, you piper,
You prisoner, and shine!

Nobody knows where you are,
How near or how far.
Shine on you crazy diamond.
Pile on many more layers and
I'll be joining you there.
Shine on you crazy diamond.
And we'll bask in the shadow
Of yesterday's triumph,
And sail on the steel breeze.
Come on you boy child,
You winner and loser,
Come on you miner for truth and delusion,
and shine!

domingo, 17 de março de 2013

Mais ou menos assim...

Pra não dizer que passei boa parte de meu domingo trabalhando, organizando aulas, textos, arrancando meus cabelos olhando para meu texto do doutorado e vislumbrando minha execração pública, resolvi colocar um vídeo memorável, para os fãs e fanáticos por Pink Floyd. Um encontro histórico entre, talvez, os dois mais influentes integrantes da banda (os barrettianos vão me trucidar). Tocando minha música predileta do álbum The Wall, comfortably numb (confortavelmente entorpecido), Rogers Waters e David Gilmour nos presentearam (os mais novos) com uma cena que muitos julgavam que jamais aconteceria de novo, um encontro musical e amigável entre os dois. Tocando seu solo original, e cantando o refrão, David nos projetou para um passado não tão recente, mas onde as músicas se tornavam históricas com pelo menos mais de uma sílaba (passou um leque aqui na minha orelha). Enfim, a música é linda, tanto a letra quanto a harmonia e melodia. Para meu deleite, Maria Luísa parece gostar mais do que eu. Coloco, também, a letra, para aqueles que quiserem aproveitar um pouco mais.



Hello,
Is there anybody in there?
Just nod if you can hear me
Is there anyone at home?

Come on now
I hear you're feeling down
Well, I can ease your pain
And get you on your feet again

Relax
I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts

There is no pain, you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two balloons

Now I've got that feeling once again
I can't explain, you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb

I have become comfortably numb
O.K.
Just a little pin prick
There'll be no more...aaaaaaaah!
But you might feel a little sick
Can you stand up?
I do belive it's working, good
That'll keep you going, through the show
Come on it's time to go.

There is no pain you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move, but I can't hear what you're saying
When I was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And I have become
Comfortably numb.



Em tempos difíceis, não sei se me sinto confortavelmente entorpecido porque as coisas me fazem assim, ou se é porque eu quero estar assim... Enfim, nem sempre somos os mesmos, Heráclito que o diga...


Abraços

Thiago


P.s: alguns juram, de pés juntos, que sempre são os mesmos..., desconfio de gente estranha assim, hahahaha.




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Como gosto de Rosa, como sou Floyd!

O título pode ser sugestivo pra alguns, mas gostaria de manifestar minha predileção por essa banda que, para mim, foi mais que uma simples banda de Rock. Como gosto do Pink Floyd! 
Ao pensar em qual seria a primeira postagem mais específica deste blog, várias ideias se passaram por essa cabeça agitada que vos escreve, pensei em falar sobre minhas últimas ideias em Filosofia, sobre filmes, sobre aulas, colocar algumas poesias, mas acabei ligando o som em meu note e nada mais nada menos que a obra The Wall me convenceu de que meu primeiro post deveria ser sobre minha banda predileta, e sobre meu álbum de música predileto (e que já perdi as contas de quantas vezes escutei, inclusive agora enquanto escrevo e escuto goodby blue sky). Não vou ficar aqui fazendo referência a datas ou informações gerais sobre o álbum que foi posteriormente adaptado para o cinema por Alan Parker 1982 como gênero musical. Prefiro dar algumas impressões iniciais sobre as músicas e postar uma resenha interessante que já havia lido sobre o filme.
A maioria das músicas foi composta por Waters, algumas em conjunto com Gilmour, com exceção de The trial que tem a presença de Bob Ezrin, e boa parte da história é uma referência à vida pessoal de Waters. Desde o início das músicas, pode se sentir o peso do baixo do vocalista. O álbum é conceitual, o que dá às músicas uma linha de pensamento contínua, fazendo com que o ouvinte entre na história contada e acompanhe os fracassos e reviravoltas na vida de Pink, o personagem principal de toda a obra. Toda a obra é bastante envolvente. A riqueza das harmonias e melodias das músicas, característica marcante da banda, fica nítida desde o início. Deixo aqui registrada minha preferência pela música comfortably numb (com vídeo do lado), sensacional! A obra consegue reunir críticas ao sistema educacional, à cultura bélica, às repressões morais e culturais das sociedades ocidentais, etc. Poderia ficar aqui o dia todo rasgando seda para banda e para o álbum, mas prefiro recomendar que todos escutem e vejam o filme, cuja análise segue abaixo.
Abraços

Thiago Oliveira

Publicado em 26/01/2011 por Fábio S. Ribeiro Análise

Aviso: por se propor a fazer interpretações subjetivas do filme, o texto revela diversos acontecimentos, inclusive o final. Portanto, recomendo que assistam o filme antes de ler além da introdução.
PINK FLOYD THE WALL (Reino Unido, 1982)
Dir. Alan Parker
I. Introdução – Floyd
O filme “The Wall” é uma obra fruto da imaginação criativa de três pessoas: Roger Waters (roteiro, música), Alan Parker (direção) e Gerald Scarf (animações). A estória, criada pelo então líder do Pink Floyd, trata-se em parte de uma semi auto-biografia, mesclando acontecimentos que fizeram parte da vida do compositor com eventos fictícios.
Antes de se iniciar a análise do filme, faremos um breve “passeio” pela história do Pink Floyd, para entendermos melhor os motivos que levaram Waters a criar “The Wall”.
Após a saída (ou expulsão) de Syd Barret, primeiro líder da banda em meados de 1968, o Floyd deixou de ter uma figura criativa central, passando por um longo período “democrático” (de 68 a 75) em relação à liberdade de composição pelos quatro membros do grupo. Entretanto, a partir do álbum “Animals”, de 1977, Waters passou a dominar a atividade criativa na banda. Nessa época, o Floyd já atingira o estrelato e começava a ser visto como um “dinossauro” do rock por parte da juventude da época, que questionava a estética musical da primeira metade dos anos 70 (leia-se a complexidade do rock progressivo em detrimento de um som mais básico, acessível). Tal repulsa ao rock mais trabalhado ficou imortalizada na camisa usada na época pelo líder dos Sex Pistols, banda seminal do movimento punk inglês: “I hate Pink Floyd”.
Durante um show da turnê de “Animals”, Waters, de cima do palco, cuspiu no rosto de um dos fãs na platéia que tentava agarrá-lo. Depois do show, refletindo sobre o episódio, ele percebeu a que ponto chegara sua relação com o público. Ele deixara de ser um músico expositor de sua arte, se tornando um ditador da mídia, vomitando entretenimento sobre as massas, um público agora bem distante dele. Waters percebeu que fora criado um muro entre ele e a platéia, impedindo uma comunicação real e sincera entre ambos. Surgia então o embrião de “The Wall”.
O álbum foi lançado em 1979, contando com uma mega turnê de divulgação regada de efeitos especiais milionários: um gigantesco muro sobre o palco que era derrubado ao final do espetáculo, uma banda falsa (“surrogate band”) usando máscaras para enganar a platéia, marionetes gigantescas etc. Três anos depois, seria lançado o filme, de Alan Parker.
II. Patinando sobre o gelo fino da vida moderna
“The Wall” conta a estória de Pink (vivido pelo cantor irlandês Bob Geldof), um astro do rock, a partir de suas memórias no exato momento em que ele está tendo um surto. Através das imagens criadas por Alan Parker e Gerald Scarf, somos apresentados a todos os fatores traumáticos na vida de Pink que o levaram a esse ponto.
O filme abre com a imagem do corredor de um hotel na América, onde Pink está hospedado. Ao fundo podemos ouvir uma antiga canção da década de quarenta (“The boy that Santa Claus forget”, de Vera Lynn). A presença dessa música é o primeiro sinal de que estamos entrando nas memórias de Pink, indo direto às suas origens, ao seu passado.
Vemos então um soldado preparando sua arma antes de ir ao campo de batalha. Trata-se do pai de Pink. Aqui entra em evidência um dos fatos mais importantes na vida de Roger Waters, a perda de seu pai na Segunda Guerra Mundial, sem ao menos conhecê-lo. Este acontecimento, de grande influência em sua formação, refletiu em grande parte de sua obra, através de críticas ao belicismo.
De volta ao presente do filme, vemos o protagonista completamente desligado da realidade, quando é interrompido pela faxineira do hotel batendo à porta. Rompem-se os portões.
III. In the Flesh
Alan Parker capturou imagens na canção “In the Flesh?” que representam diversos eventos relacionados com a história de Waters, e que mais tarde retornarão ao enredo do filme. Temos a ditadura do artista em relação à platéia, as violentas cenas desta adentrando o local do show e sendo reprimida pela polícia nas ruas, intercaladas com cenas do campo de batalha na Segunda Grande Guerra, terminando com a morte do pai de Pink.
Alheia à morte do marido, a mãe de Pink descansa em um jardim, ao lado do filho, ainda um bebê. Waters começa a destilar seu veneno, através das críticas aos males da sociedade do século XX.
Vemos o pequeno Pink brincando dentro de uma catedral, enquanto sua mãe ora pelo marido morto em combate. No parque, o menino começa a sentir a ausência da figura paterna ao observar um pai brincando com seu filho. Ao tentar se aproximar dos dois, ele é duramente rechaçado pelo homem.
Em uma cena seguinte, Pink, um pouco mais velho, mas ainda criança, acha em casa os pertences do pai e passa a contemplar o motivo de sua ausência: morto em combate a serviço do império britânico. A música executada durante essa cena, “When the Tigers broke free”, fora feita especialmente para o filme (ela não consta no álbum de 79*).
IV. Imagens infilmáveis
Incumbido de tornar reais imagens que só poderiam existir dentro da mente humana, o animador Gerald Scarf conseguiu criar um universo sombrio a partir de de uma visão altamente pessoal. Através de formas contorcidas, criaturas mutantes, muito sangue, carne e violência, o resultado final é uma das mais originais obras de animação já criadas.
“Goodbye, blue sky”, uma belíssima canção, contrasta com as fortes imagens criadas por Scarf, onde ele mostra o pesadelo que poderia se tornar realidade em mais críticas a Estados beligerantes.
V. Tijolos no muro
Waters mais uma vez faz uso de seus próprios traumas pessoais, e aproveita para criticar o cruel sistema educacional inglês, responsável pela (desin)formação de toda sua geração. Ele inicia sarcasticamente com “The happiest days of our lives”, literalmente destruindo a moral daqueles rígidos educadores, que descontavam suas frustrações pessoais nos alunos:
“But in the town it was well known when they
got home at night, their fat and psychopathic wives
would thrash then within the inches of their lives”
Quando inicia “Another brick in the wall part 2”, vemos os alunos usando máscaras sem face, marchando em fila. De cara, Waters expõe sua visão sobre os objetivos da formação que tivera: moldar de forma segura e padronizada os tijolos (alunos de hoje, cidadãos de amanhã) que formariam o grande muro (a sociedade inglesa) no futuro, destruindo qualquer resquício de individualidade e criatividade. Basta ver a cena onde o professor ridiculariza o poema de Pink em sala de aula. Por curiosidade, o poema é a letra da música “Money”, do álbum “Dark Side of the Moon”, o maior sucesso comercial do Pink Floyd e um fenômeno da indústria fonográfica – até hoje é um dos álbums mais vendidos da história.
Irrompe a revolução dos alunos, que destroem a escola e perseguem os professores, mas que no final nada mais é do que a imaginação de Pink, após ter sido humilhado pelo professor. Não é a toa que essa música se tornou hino de segmentos oprimidos em diversas partes do mundo.
VI. Mama’s gonna check out all your girlfriends for you
Temos agora que Pink, não conseguindo contactar por telefone a esposa na Inglaterra, passa a sentir a falta do carinho materno. Parker evidencia durante “Mother” a relação edipiana entre mães e filhos, intercalando cenas de cuidado materno com cenas da evolução da sexualidade de Pink, indo desde as primeiras descobertas, passando pelo seu casamento e chegando à crise conjugal. Vemos as mazelas trazidas pela fama e o esgotamento criativo, levando ao distanciamento da esposa, que irá buscar o afeto negado nos braços de um amante.
Indo em sentido um pouco diferente, mas dentro do mesmo contexto das imagens, a letra de Waters ressalta a super-proteção materna.
Uma belíssima cena merece destaque: Pink, impossibilitado de receber o afeto da esposa, assume a posição fetal, simbolizando a necessidade da proteção materna.
VII. Consciência e inconsciência
Novamente temos as animações de Scarf materializando o lisérgico som do Floyd e a ácida poesia de Waters. Na instrumental “Empty Spaces”, as incríveis imagens de duas flores que se transformam em dois corpos fazendo amor, terminando com a fêmea  assumindo a imagem de um monstro e devorando o macho, é talvez o ponto mais criativo de sua carreira (e até do filme).
Dando seqüência, em “What shall we do now?” (música que ficou de fora do álbum de 1979 por questões técnicas da época: falta de espaço no disco de vinil…), as animações passam a interagir com as críticas de Waters ao consumismo (e talvez a todo o sistema capitalista), e seus males à sociedade.
VII. Gilmour e a luxúria juvenil
Surge a primeira participação de outro membro do Floyd em “The Wall”. A música “Young Lust”, parceria de Waters com o guitarrista David Gilmour – que liderou a banda após a saída de Waters, em 1984 – nos apresenta a tentativa de Pink em buscar a companhia de outra mulher, e talvez de se vingar de sua esposa infiel. No filme, foi feita a opção por mostrar durante essa música, o universo das “groupies”, fãs de artistas que fazem qualquer coisa para estarem perto de seus ídolos.
Uma das garotas chama a atenção de Pink, e este acaba a levando para seu quarto de hotel.
IX. “Careful with that axe, Eugene…”
Pink surta de vez e começa a destruir tudo à sua volta, enquanto a fã apavorada se esquiva dos objetos e foge. Após a destruição total do quarto, encontramos Pink no limiar da sanidade mental, atormentado pelo fantasma de sua esposa adúltera. A espetacular fotografia do filme consegue mesclar perfeitamente as imagens com a música, em especial nas cenas deste segmento. Em determinado ponto, a fotografia simula a imagem obtida nos desenhos animados, criando um meio perfeito para a primeira interação das imagens de Parker e Scarf no filme (imagens reais e animadas). A esposa de Pink, retratada como um monstro (feito em animação), encurrala o ator Bob Geldof pelos cantos da sala.
Após essa cena, temos Pink inerte, quando percebemos que estamos diante dos momentos que antecedem as cenas mostradas no início do filme. O muro – uma metáfora para seu bloqueio em relação ao mundo exterior – aparece pela primeira vez.
X. “Is there anybody out there?”
A primeira parte do filme teve o escopo de traçar um histórico do protagonista, dando ao espectador ciência dos fatores que levaram Pink ao estado crítico. Já a segunda parte nos mostra o que acontece com ele após o colapso.
O tema da loucura nos remete novamente à história do Pink Floyd. Syd Barret, primeiro líder da banda e amigo de juventude de Roger Waters, ficou louco em virtude do uso excessivo de LSD nos anos 60. Conta-se que durante as gravações do álbum “Wish you were here” (feito em homenagem ao próprio Barret, no ano de 1975), o ex-membro do Floyd invadiu o estúdio de gravações completamente ensandecido, fato que marcou profundamente os membros do Floyd, e que certamente teve bastante influência na criação de “The Wall”.
Talvez baseados nesse fato, Paker e Geldof construíram o personagem Pink nesse trecho do filme inspirados pela figura de Barret.
Na sequencia, temos mais retornos de Pink às suas origens. Uma das músicas dessa parte do filme pergunta “Does anybody here remember Vera Lynn?”. Poucos se lembrariam, mas na vida real, ela foi uma cantora da década de quarenta, cuja música certamente fez parte da infância de Waters. Era uma música dela que ressoava na mente de Pink em suas memórias, na cena do corredor do hotel, que abre o filme.
XI. “…go to the show”
O quarto do hotel é arrombado e diversas pessoas entram: seu empresário, o gerente do hotel, enfermeiros, seguranças e assistentes. Pink é sedado durante a belíssima “Comfortably Numb”, outra contribuição de David Gilmour à obra. Nos são mostradas as recordações de Pink cedendo lugar a alucinações. Ele se transforma em um enorme verme para renascer como um ditador nazista.
Em pleno show/comício, Pink expõe todo seu desdém pela platéia através de ataques a minorias discriminadas (negros, judeus, homossexuais, e drogaditos). Trata-se da materialização da consciência de Waters o atormentando após o incidente do cuspe na face de um fã durante um show, mas serve como crítica às ideologias de extrema direita, melhor exemplificadas pelo fascismo e pelo nazismo. Tais quais os alunos moldados para serem tijolos (ou ovelhas, seguindo a temática de “Animals”) da sociedade, os indivíduos da platéia não possuem identidade (usam as mesmas máscaras sem face).
É feito um alerta para o ressurgimento destes movimentos de ultra-direita no final deste segmento do filme (que engloba as músicas “In the flesh”, “Run Like Hell” e “Waiting for the worms”). Gilmour e Waters cantam esse alerta nas linhas “Would you like to see Britannia rule again? All you have to do is follow the worms!”. Entra em cena a antológica marcha dos martelos.
Em um corte abrupto, somos levados a um momento onde Pink possivelmente recobrou a consciência. Ele se encontra em um banheiro do que aparenta ser uma instituição psiquiátrica, fora da realidade e talvez entretido com suas memórias.
XII. O Julgamento
Fechando a saga de Pink, temos seu julgamento, onde Scarf aproveita para fazer uma sátira ao sistema judiciário inglês – observe a forma repugnante que ele dá ao advogado de acusação e principalmente ao juiz, retratado como um par de nádegas com uma bolsa escrotal pendurada no lugar do queixo, que no final do julgamento literalmente defeca a sentença, ordenando a derrubada do muro e a conseqüente exposição de Pink.
Durante a música “The Trial” (parceria de Waters com o produtor musical Bob Ezrin) os personagens mais importantes na vida de Pink, caricaturizados por Scarf, servem como testemunhas.
Com a derrubada do muro, vemos crianças recolhendo peças entre os escombros, deixando como mensagem final a esperança.
XIII. Conclusão: Outside the Wall
Acima de gostos pessoais, o filme “The Wall” é uma obra-prima que, pelo seu conteúdo social, merecia ser vista e analisada por todos. O leque de questionamentos propostos pelo filme é tão abrangente que é praticamente impossível encontrar falhas nas sociedades ocidentais do século XX que não tenham sido objeto de crítica nele. Tampouco é fácil a elaboração de um estudo que seja ao mesmo tempo completo e objetivo sobre o filme, tamanha a subjetividade e riqueza de detalhes que ele apresenta.
Uma verdadeira obra de arte, fruto de mentes no auge de seus períodos criativos, trata-se também do registro dos medos de toda uma geração. Apesar do clima pesado e negativo na maior parte do filme, a mensagem final é positiva, nos mostrando que apesar de todas as agruras da vida, sempre teremos a possibilidade de reconstruirmos o presente.